top 10 fantasias de criança

20 mar

Fiz uma pequena seleção de fantasias legais e estilosas pra criançada.

fonte: weheartit.com

para o carnaval que se aproxima

14 jan

Lixo Extraordinário

31 dez

É um belo documentário sobre a dura vida dos catadores de lixo. Logo no começo, o filme força a barra, quando mostra o Vick Muniz falando com um amigo brasileiro sobre um aterro de lixo no Brasil. Ele quer fazer um trabalho por lá, mas fica um puta clima de suspense no ar, porque o aterro fica perto da favela, e ele não sabe como será a sua aceitação, pode ser arriscado…
Claro, que depois de visitar o aterro, fica evidente o clima hospitaleiro dos catadores brasileños, alguns fazem troça em meio ao ensaio fotográfico, outros se aproximam mais, e aos poucos, vão sendo apresentados os personagens, que serão retratados pelo artista em grandes figuras feitas com material recolhido do lixo.
Apesar do início forçado, o documentário é interessante, pois mostra pessoas que tiveram grandes problemas na vida, como falecimento de pai, mãe, enfrentando sérias dificuldades financeiras, e que se viram sem outra alternativa, senão trabalhar como catadoras de lixo. Aliás “lixo não, pois o lixo é algo que não tem utilidade, e sim, catadores de material reciclável.”, explica Tião, uma das estrelas resgatadas no aterro, em entrevista para o Jô.
Outra que chama atenção é a personagem Isis, que chora copiosamente pelo amor que encontrou e perdeu no lixo, cá entre nós, amor achado no lixo não poderia dar certo. E eis que o homem de quem ela gostava muito era casado, logo não quis jogar fora o casamento, em troca de uma catadora de lixo, por mais que Isis tivesse prestado grandiosa homendagem, tatuando o nome do paquera estrategicamente em sua própria perna.
Latinices à parte, o filme é uma verdadeira lição de vida. Enquanto nós ficamos sentadinhos em nossas poltronas confortáveis, tomando nosso banho quente, algumas vezes até reclamando das coisas, tem gente que foi parar no aterro, foi ganhar a vida no meio do lixo, no forte odor azedo de comida estragada, restos de papel higiênico e urubus, comendo comida vencida e tomando banho com caneco.
Gostei da abordagem que mostra a trajetória da personagem que explica como o trabalho em parceria com o artista mudou a sua vida. Ela resolveu se separar do marido e passou a valorizar-se, bem como o seu trabalho. Em certos momentos é evidente como os trabalhadores que lidam com lixo possuem uma autoestima mais frágil. Sentem a discriminação da sociedade por terem de andar com um perfume que só agrada a baratas e ratos.
Aliás, muitos se orgulham de não terem entrado para o mundo das drogas. As mulheres, orgulham-se de não terem se prostituído. Nesse caso, rolaria um debate legal, afinal de contas, será que a profissão tida como uma das mais antigas do mundo também não merece respeito, ou é menos digna?
Para concluir, ainda tem a fala do Vick Muniz, ele afirma que prefere ser alguém que não tem nada e quer tudo, do que ser um cara que tem tudo e não quer nada. O artista justifica que a vida perde o sentido quando ele alcança tudo o que deseja, e conta que já precisou comprar muitos bens materiais, os quais se refere carinhosamente como muita porcaria.

xmas tree

22 dez

A vida de uma árvore de natal não era nada fácil, tinha que passar um ano inteiro guardada numa caixa empoeirada, em cima do armário, esperando pela sua vez. Mal saía de caixa de papelão, esticava seus braços para cima, como se fosse uma maneira de se espreguiçar. O único problema era que logo a tensão voltava, pois as pessoas enchiam-lhe os braços com bolinhas vermelhas e diversos penduricalhos natalinos.

Não bastasse o peso das bolinhas, havia toda a sorte de enfeites, ursinhos, renas, papais da noelândia, miniaturas de instrumentos doirados e algum tipo de luz piscante e quente. A cada ano eram novos enfeites. Nos seus pés, os presentes, acompanhados de cartões artesanais, assinados à mão.
Ainda bem que o esforço valia à pena. E então ela segurava os enfeites com gosto. Por pelo menos um mês, ela era a estrela daquele cantinho da sala. Pena que tinha de dividir o estrelato com a sua pequena estrela bem no topo da cabeça e com mais meia dúzia de papais Noel que roncavam, rebolavam e cantavam.
Ela estava animada, seria mais uma oportunidade de ver a família reunida, com a mãe exaurida por passar o dia inteiro na frente do fogão preparando o peru, o tender e a leitoa assados. Seria mais fácil pedir uma pizza, mas a mãe da pizzaria também deveria estar usando o seu forno para assar peru, tender e leitoa pururucada. Senão, deveria estar com o forno a lenha desligado, para aguardar a vinda do papai Noel que, teoricamente não rebolaria, nem ficaria preso na chaminé, tal qual um bandido amador, que aparecera certa vez em um noticiário popular.
Sua missão naquele ano, como na de todos os anos era não deixar a peteca e nem os enfeites caírem.

Farenheit 451

16 dez

Image

De vez em quando eu volto para tirar a poeira dos teclados imaginários que tecem os textos para esse blog. Um abraço saudosista para os amigos que visitam esse espaço, com alguma necessidade de encontrar algo de interessante na rede. E tem muita coisa boa.
Um dos exemplos é o filme Farenheit 451.
Engana-se quem pensa que é aquele documentário do Michael Moore. Na na nina. Aquele é 11/9, o filme que eu me refiro é o 451. O mais interessante é que no meio da trama, explica-se a razão, motivo ou circunstância pela qual o filme tem esse nome, assista-o e você também descobrirá.

Porque vale a pena ver 1 – Ele é uma adaptação de um romance de Ray Bradbury.

Porque vale a pena ver 2 – O filme só é dirigido por François Truffaut.

Porque vale a pena ver 3 – Só pra assassinar a curiosidade de quem insiste em ler o resto do texto e ainda está indeciso com as alternativas anteriores, é uma história bonita, em um futuro não muito distante, no qual as pessoas são proibidas de ler livros. Quem esconde livro em casa, vive na ilegalidade.

Os bombeiros, em vez de apagar incêndios são os próprios incendiários. Cabe a eles encontrar e destruir todos os livros. A descrição mais legal do filme é de uma pessoa que fala que esses sujeitos da lei recendem a querosene.

Enquanto isso, a alienação corre solta, neguinho acha que é feliz vendo televisão o dia todo e enchendo a cara de drogas liberadas pelo governo. Para quem aprecia uma boa leitura e não abre mão dos seus livros de papel, é identificação à primeira vista. Chego ao fim, lembrando que o fim do filme é bonito. Vale até citar os versos diversos de uma canção legal: “É assim que me querem, sem que possa pensar, sem que possa lutar por um ideal” 

impreciso

25 nov

Amanhã acordarei tarde, com a certeza de que dormi oito horas diárias de sono mal dormido. Passarei mais duas horas pensando nos problemas da vida, com a certeza de que perdi duas horas pensando nesses mesmos problemas, da vida, dívidas, dúvidas. E terei a certeza de que se eu tivesse acordado antes, se tivesse me levantado mais cedo, talvez estivesse fazendo algo para de fato resolvê-los, ao invés de pensá-los e de vivê-los com empenho e sofrimento.

A cada esquina que eu dobro, eu tento não olhar para trás. A cada rua que eu passo, encontro um pedaço de mim, um corpo abandonado em milnovecentosenoventaealgumacoisa. Sinto a nostalgia no seu termo mais original, que tem a definição no sentimento vivo e real de um membro que o corpo já perdeu. Amanhã quiçá eu me deixo dobrar de novo por alguma menina em alguma esquina. Amanhã, não sentir saudades quisera eu.

Amanhã vou me lembrar de que a única certeza dessa vida é a morte, ainda sim esforçar-me-ei para que eu tenha outras certezas e menos essa rondando pela minha cabeça. Quero ter a certeza de que no restante dos dias eu tenha pão com manteiga na minha mesa de café da manhã, com a mesma certeza de que, em uma semana já não mais agüentarei comer pão com manteiga. Desse dia em diante, começarei a entender ou relembrar o significado dessa minha falta de paz interior, por querer que os dias e as comidas não se repitam e desejar que as coisas continuem iguais no tempo em que nada (nos) se dividia, nem amigos, amores e melodias.

Depois do café sem fome eu vou abrir na história em quadrinhos na página em que o vilão, camaleão, entra em crise de identidade. Que de tanto se converter em imitações de outros personagens, guitarristas, designers, jornalistas e publicitários, não saiba mais quem ele é em sua originalidade, porque só pode ser que isso o incomode. E nesse momento eu serei o garoto / moleque a folhear uma revista com deleite pueril, perdendo-se no fio da meada.

Depois do almoço, quero crescer e ser moço, para poder ler os filósofos barbudos discutirem o significado da palavra amor. Com a certeza de que nenhum deles conseguirá me explicar com mil palavras em mil pedaços de folhas encadernadas tão bem o que é o amor quanto o beijo real de uma mulher deitada em minha cama. E mesmo assim não saberei o que é o amor para quem se ama, de quem a gente ama.

Na janta, nada de canções melosas de Marcelos animais desérticos com Magalaloo Malhães tenho apenas 15 anos mas sei tocar violão. Na janta vou comer o pão que algum diabo amassou na sua jornada de trabalho pela padaria. De novo o pão com manteiga. De noite a solidão vem mais intensa. Na mesma padaria vou pedir um sonho, suspiro, alguma coisa doce, pois é o doce que eu queria. Não doce todo dia. Um doce com a incerteza de que ela não fosse mais me ligar. E de repente o doce foi ficando amargo, amanhã.

Já de noite, eu vou reler tudo o que foi durante o dia inteiro, lembrarei das dores com menos dores, por já ter passado por elas. Vou ver a história do começo ao fim tentando estabelecer algum sentido. Sem querer ferir, interferir, mas já tendo ferido. Os ponteiros do meu relógio vão batendo fora de ritmo, pulsando como um coração impreciso.

boa noite

18 nov

Outro dia sonhei mais uma vez, que sabia voar. Naquele episódio onírico, o voo estava sob controle, eu não tinha medo de cair, como o medo que a altura costuma gerar na gente, era só bater os braços, como se estivesse imitando um pássaro. Um, dois, três, lá estava eu, no alto, perto da minha antiga casa, olhando os telhados das casas vizinhas.
Por meio de pesquisas, encontrei uma teoria inconclusiva sem certificados do Inmetro, que dizia que os sonhos em que a gente voa, simbolizam o anseio pelo poder. Eu não sei, nos meus sonhos, só quero poder voar, planar no céu, leve.
Seria a liberdade? Não sei, será? A liberdade, essa vontade tão simples, que nos obriga a escolher, mesmo que a gente opte pelo nada, uma escolha está sendo feita… O mundo é assim mesmo, mal nascemos, já começamos a chorar, o médico, sádico, manda aquele tapinha na bunda que a gente se acostuma.
Vamos crescendo e depois são as mamães e os papais que nos dão os tapinhas por termos aprontado alguma, depois aparecem os tapinhas que não doem, de sacanagem, das letras de funk e mais tarde vêm os tapinhas nas costas, alguns sinceros, de carinho, outros irônicos, do tipo, vai se foder, seu idiota.
Por enquanto ou vou dormir outra vez, talvez sonharei com um novo voo. Um voo que não tem explicação física nem científica, que vai além da gravidade sem sair do lugar.

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