Outro dia sonhei mais uma vez, que sabia voar. Naquele episódio onírico, o voo estava sob controle, eu não tinha medo de cair, como o medo que a altura costuma gerar na gente, era só bater os braços, como se estivesse imitando um pássaro. Um, dois, três, lá estava eu, no alto, perto da minha antiga casa, olhando os telhados das casas vizinhas.
Por meio de pesquisas, encontrei uma teoria inconclusiva sem certificados do Inmetro, que dizia que os sonhos em que a gente voa, simbolizam o anseio pelo poder. Eu não sei, nos meus sonhos, só quero poder voar, planar no céu, leve.
Seria a liberdade? Não sei, será? A liberdade, essa vontade tão simples, que nos obriga a escolher, mesmo que a gente opte pelo nada, uma escolha está sendo feita… O mundo é assim mesmo, mal nascemos, já começamos a chorar, o médico, sádico, manda aquele tapinha na bunda que a gente se acostuma.
Vamos crescendo e depois são as mamães e os papais que nos dão os tapinhas por termos aprontado alguma, depois aparecem os tapinhas que não doem, de sacanagem, das letras de funk e mais tarde vêm os tapinhas nas costas, alguns sinceros, de carinho, outros irônicos, do tipo, vai se foder, seu idiota.
Por enquanto ou vou dormir outra vez, talvez sonharei com um novo voo. Um voo que não tem explicação física nem científica, que vai além da gravidade sem sair do lugar.
Porque voar por si só simboliza liberdade que nos falta. E talvez sempre faltará!