“O Woody Allen é um cara bizarro, mas é Champion!”
Talvez a declaração dada por um bêbado, em plena exibição do filme fosse a descrição mais sóbria da noite. Quase todas as segundas feiras, tem filme de graça. Graças ao SESC. Engraçado e triste é que poucas pessoas aparecem. Privilégio de quem ficou para ver mais uma obra do Woody Allen, Trapaceiros.
Em certo momento não dá pra saber se o Woody imita o Bolaños, também conhecido pela alcunha de Chaves, Chespirito ou Chapolin Colorado, ou se o Bolaños que imita o Woody. O certo é que os biscoitos vendem mais porque são fresquinhos, mas se você pedir para o Chaves, é provável que não encontre essa iguaria no restaurante da D. Florinda. Já no filme Trapaceiros, biscoitos tem de monte, eles são peça fundamental na trama.
Tudo começa quando o protagonista tem a inédita idéia de alugar uma casa perto de um banco e cava um túnel para fazer um grande assalto. Por sorte que a loja que ele abre para servir apenas de fachada para cavar o túnel vira um sucesso e roubar não é mais preciso.
O filme tem uma ótica interessante, por mostrar a felicidade e a falta de perspectiva dos personagens após ficarem ricos. Ele mostra as futilidades que servem para preencher a vida monótona de quem não sabe mais o que fazer. Regras de etiqueta e obras de arte servem como recheio.
Chega num determinado ponto que Ray (Woody) chega a sentir falta da comida gordurosa da rua, e busca a felicidade nesse pequeno prazer. Enquanto sua esposa vive prazeres e desprazeres da high society. Enche o apartamento de esculturas bregas, por conta de ter tanto dinheiro e pouca formação.
Se você assistir ao filme sem esperar por uma comédia de morrer de rir, sairá satisfeito. O filme Trapaceiros, é uma bela obra cinematográfica, com um pouco de humor pastelão, com reflexão, e é ótimo para passar um pouco do seu tempo. A arte que serve de recheio para adoçar a vida, um pouco de cultura que engrandece muito mais que as novelas vulgares do horário nobre.

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