Foi muito ruim vê-la partir. Aos poucos ela foi se distanciando, ficando cada vez mais longe, até sumir de vez. Uma coisa era estar com ela em um quarto escuro, outra completamente diferente era não tê-la de fato.
Só sei que foi inevitável. Não tentei lutar contra o ritmo natural dos acontecimentos. Desde que senti que as coisas estavam mudando, que ela estava se afastando de mim tomei uma iniciativa importante, decidi não fazer nada.
Um ano se passou depressa, daí eu tive certeza. Apesar de estar tão perto, pra não dizer junto, ela estava ficando longe, como o que toma distância e se encurta na linha do horizonte e está diante dos olhos.
Foi como uma tragédia, como o castigo autodestrutivo de gostar da própria mãe se concretizando em câmara lenta.
Aos poucos fui trocando de lente. Lentamente, ligeiramente estrábico. Da ausência dela acabei apurando outros sentidos. Não sei se foi por questão de sobrevivência, acho que talvez pelo treino.
Antes que ela sumisse de vez tentei olhar. Tentei gravar na minha mente os últimos instantes dela comigo. Àquela altura do campeonato, acho que já nem fazia sentido. As melhores cenas haviam sido antes. Ainda bem que já estavam gravadas e impressas na memória.
Hoje o passado e os sonhos estão bem próximos, pra ser sincero eu já não vejo diferença entre ambos. De vez em quando ainda tenho sonhos coloridos, lembro muito bem dela, mas sempre que acordo, eu tenho a certeza de que ela não está mais por perto sei que ela não mais irá aparecer.
Ponto final. Agora pode escolher o título meu querido sobrinho, fica a seu critério. Depois de publicar este texto, faça me um favor, dê um pulinho até a janela e me descreva como está o tempo lá fora. Após o almoço você poderia continuar aquela leitura de ontem?




Bom, já que eu tenho recebido umas visitinhas constantes, hoje eu vou postar uma receita boa, quem fizer, depois pode comentar no blog.

